1. Passear à toa pelo shopping
Um simples passeio pelo shopping center pode resultar em gastos
adicionais. Além das despesas necessárias e previstas, como
estacionamento e refeição, por exemplo, é grande a chance de o
consumidor sair de lá com uma compra que não estava nos planos. "No
shopping, somos bombardeados por ações de compra a todo o momento. O
ideal é evitar passeios inúteis em lugares em que você sofrerá tentações
de compra", diz Carlos Honorato, da Fundação Instituto de
Administração (FIA).
2. Não saber o preço justo das coisas
O professor Honorato volta ao exemplo do shopping center. Se o
consumidor vai lá comprar uma calça que custa R$ 100, não parece muito
gastar R$ 7 num café, embora se saiba que o café não vale tudo isso e
sairia bem mais em conta em outro lugar. "É comum, em situações assim,
distorcermos o valor das coisas. Mas o consumo responsável está
relacionado a pagar um preço justo e evitar pagar o que não acho justo."
3. Comprar título de capitalização
O produto é unanimidade, entre os especialistas em finanças pessoais,
quando se fala em uso indevido do dinheiro. "Sempre vendem o título de
capitalização como se fosse vantajoso porque o dinheiro é resolvido com
correção pela TR. Mas a TR tem um valor ridículo, que nem cobre a
inflação", diz Keyler Carvalho Rocha, professor da Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo
(FEA-USP). Além disso, a possibilidade de ser contemplado por sorteio é
mínima. "É melhor aplicar o dinheiro na poupança e ganhar os juros",
afirma o professor.
4. Usar o cheque especial
O limite do cheque especial é usado por muita gente como uma espécie de
renda extra, diz Samy Dana, da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP). O
problema é que os juros cobrados no especial são muito altos: segundo a
última pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade (Anefac), foram de 7,89% ao mês em
novembro, o que dá 148,76% ao ano. Em caso de necessidade, é melhor
pegar um empréstimo pessoal no banco, porque pelo menos os juros serão
mais baixos (3,18% ao mês ou 45,59% ao ano).
5. Não pagar a fatura do cartão de crédito integralmente
Os cartões de crédito estão entre os maiores vilões do endividamento,
mostram dados da Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central
de Proteção ao Crédito (SCPC) em São Paulo. Segundo uma pesquisa feita
em outubro de 2013, 28% dos inadimplentes tinham dívida no cartão. Não é
por menos. Quem não paga a fatura integral do cartão se vê numa bola
de neve da qual é muito difícil sair. Os juros são os mais altos do
mercado para pessoas físicas: 9,37% ao mês, ou 192,94% ao ano, segundo a
Anefac.
6. Deixar-se levar por ofertas, promoções e liquidações
Comprar produtos que estão em oferta pode ser um ótimo negócio, mas
apenas se esse gasto já estiver previsto no seu orçamento. "Muitas vezes
as pessoas acabam comprando produtos em promoção independentemente da
necessidade. A pessoa vai comprar um determinado produto, mas a loja
está vendendo pela metade do preço, então ela aproveita e leva quatro.
Mas isso só é vantajoso se você realmente estiver precisando de quatro",
diz Samy Dana.
7. Ter um plano de celular inadequado
Quando você contrata um plano de celular que dá direito a 500 minutos
de ligações e usa apenas 300, por mais barato que ele seja, você está
jogando dinheiro fora, porque está pagando por mais do que precisa. Ao
mesmo tempo, se seu plano dá direito a 500 minutos e você usa 600, vai
pagar caro pelos 100 minutos adicionais. Poucas pessoas fazem essa
análise, diz Samy Dana, mas adequar o plano ao seu perfil de uso é
fundamental para não perder dinheiro.
8. Deixar as decisões apenas nas mãos do gerente do banco
Se você não conhece nada sobre investimentos e deixa todas as decisões
nas mãos do gerente da sua conta, pode perder ótimas oportunidades. "Em
geral, o gerente vai te oferecer o que ele considera o melhor produto
para o banco", diz Samy Dana, da FGV-SP. O ideal é pesquisar e conhecer
o assunto, para que a conversa com o gerente chegue a resultados mais
vantajosos.
9. Pagar por benefícios que não são usados
Os bancos costumam oferecer contas com muitos benefícios para quem tem
renda mais alta, como atendimento preferencial, cartão de crédito com
limite mais alto etc. De nada adianta ter tudo isso e não usar, porque
esses benefícios são cobrados nas tarifas bancárias e na anuidade do
cartão de crédito, por exemplo. O mesmo vale para os cartões que dão
direito a milhagens, diz Samy Dana, da FGV-SP. "A maior parte dos
cartões cobra taxas mais caras para que você receba mais milhas, e o
consumidor acaba não usando essas milhas depois."
10. Não diversificar investimentos
Antes de investir seu dinheiro, é preciso escolher o tipo de aplicação
que mais tem a ver com seu perfil (mais ou menos propenso a correr
riscos). Seja qual for a escolha, porém, o resultado é quase impossível
de ser previsto, porque vai depender de fatores diversos. A forma de
minimizar esse risco é diversificar os investimentos, diz Keyler
Carvalho Rocha, professor da FEA-USP. "O ideal é aplicar em várias
empresas com cautela e segurança. Se uma ou outra for infeliz, pode ser
que uma ou outra seja boa."
11. Escolher o pacote bancário errado
Os bancos são obrigados a oferecer alguns serviços básicos
gratuitamente para seus clientes. Ainda assim, muita gente contrata
pacotes de serviços que nem são usados. Ou a pessoa faz operações, como
transferências de uma conta para outra, por exemplo, em quantidades que
não estão incluídas no pacote, precisando pagar mais por isso, diz
Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação de
Consumidores Proteste. É importante, assim, ter atenção na hora de
escolher o pacote.
Contratar seguro para cartões.
12. O valor mensal do seguro contra perda e roubo de cartão (de crédito ou débito) é pequeno
Poderia ser até um gasto interessante, não fosse inútil. "Todo
consumidor tem o direito de contestar e reaver o dinheiro em caso de
fraude envolvendo o cartão, mesmo que não tenha pago o seguro", diz
Maria Inês Dolci, da Proteste. "Em vez de contratar seguro, o que ele
precisa fazer é avisar logo a operadora em caso de perda ou roubo."
13. Acreditar em dinheiro rápido e fácil
Acreditar em maneiras milagrosas de ficar rico é outra forma de perder
dinheiro facilmente, alertam os especialistas. Entrar em esquemas de
pirâmide financeira é um bom exemplo, diz Samy Dana, da FGV-SP. Numa
pirâmide financeira, uma empresa procura pessoas que não só vendam seus
produtos, mas também, e principalmente, recrutem novos associados. O
maior ganho de quem entra num esquema assim vem justamente desse
recrutamento. O esquema é ilegal e, geralmente, beneficia somente quem
entrou primeiro e conseguiu levar outras pessoas para a empresa.
14. Pagar para consultar lista de "nome sujo"
"Consultas a SPC e Serasa a partir de R$ 10." Anúncios como esses são
comuns pelas ruas e pela internet, mas representam um gasto totalmente
inútil. Isso porque o consumidor não precisa pagar para saber como anda
sua situação nos cadastros de proteção ao crédito. É direito dele ter
acesso a essa informação gratuitamente.
15. Não fazer controle financeiro
Anotar os gastos diários numa planilha é atitude simples, mas que pode
fazer toda a diferença no fim do mês. "Quem não faz controle financeiro
tende a gastar mais", diz Samy Dana, da FGV-SP. Essa atitude evita que
o consumidor gaste além do que ganha e perceba exatamente onde estão
as despesas que podem ser cortadas em caso de necessidade.
Fonte: Procon SP - 10/01/2014